homenagem

Carnaval em junho: MAC-PR inaugura mostra em homenagem ao artista André Malinski

A abertura, marcada para quarta-feira (28), às 19h, será um momento de celebração à memória e à trajetória de um dos maiores e mais queridos artistas da cena paranaense, com participação do bloco carnavalesco Garibaldis & Sacis e do grupo performático As Cachorras

Carnaval em junho: MAC-PR inaugura mostra em homenagem ao artista André Malinski
Carnaval em junho: MAC-PR inaugura mostra em homenagem ao artista André Malinski Foto: Divulgação MAC
Publicado em 27/06/2023 às 12:00

A mais nova exposição do Museu de Arte Contemporânea do Paraná apresentará dezenas de obras do multiartista, pesquisador, performer e carnavalesco André Malinski. “André Malinski no céu” é o nome da primeira mostra póstuma em homenagem ao artista, cuja coleção pessoal doada pela família ao MAC Paraná será exposta pela primeira vez ao público após a sua musealização.

A abertura, marcada para quarta-feira (28), às 19h, será um momento de celebração à memória e à trajetória de um dos maiores e mais queridos artistas da cena paranaense, com participação do bloco carnavalesco Garibaldis & Sacis e do grupo performático As Cachorras.

São 174 obras e mais de mil peças, entre estudos, projetos e objetos pessoais de Malinski doadas pela família ao acervo do MAC-PR entre 2022 e 2023 após o falecimento do artista, em 2021. O processo de doação teve apoio fundamental de amigos próximos dele que, juntamente com os familiares, trabalharam em contato próximo com a equipe do museu.

Segundo Carolina Loch, diretora do MAC Paraná, essa exposição carrega muitos afetos e simbolismos. “As obras do André Malinski mudaram muito o nosso acervo: as linguagens que o artista trabalha, os temas que ele aborda e as alegorias que ele propõe são muito importantes para pensar a arte contemporânea paranaense”, afirma.

Para a diretora, as obras fazem parte do imaginário coletivo da cidade, trazem a alegria de um Carnaval, falam muito do sagrado e do profano, divertem e fazem refletir. Quem passar pela mostra não vai sair como entrou. “O carinho e a espontaneidade do André vão influenciar diretamente quem visitar a gente por aqui”, conta.

CURADORIA – O trabalho de curadoria de Marco Antonio Teobaldo e consultoria de Adriane Amato, amigos pessoais de André Malinski, privilegia uma narrativa afetiva sobre o conceito da exposição.

Marco Antonio Teobaldo foi parceiro do artista desde o início de sua trajetória, e criou com ele, em 1995, o Grupo Anilina, coletivo artístico marcado por um apelo ao imaginário popular e destaque para o valor simbólico de alguns ofícios, como os das artesãs bordadeiras, costureiras e lavadeiras.

O título da exposição, “André Malinski no céu”, é uma referência a um projeto inédito, recuperado, que o artista não conseguiu realizar em vida, e que estará na mostra.

SOBRE O ARTISTA – André Americano Malinski nasceu em Marcelino Ramos (RS) em 7 de outubro de 1966, cresceu na cidade de São Jorge d’Oeste, no Paraná, e passou grande parte de sua vida adulta em Curitiba. Artista visual, carnavalesco, designer, educador e historiador, circulou por diversos meios e atuou em diferentes frentes desde o início de sua carreira até seu falecimento precoce, em 15 de novembro de 2021.

Suas primeiras experiências estéticas foram em São Jorge d’Oeste, inspirando suas criações anos mais tarde. Os artefatos interioranos e domésticos e as imagens de santos, ornamentações de igrejas e capelinhas são elementos presentes em muitas de suas obras, combinados com elementos pop e ressignificações com influências da cultura gay.

Em 1981 passou a viver em Curitiba e pouco depois ingressou na faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Paraná (UFPR), mas não concluiu o curso. Nessa época, integrou grupos de teatro amador, como o “Grupo É Hoje!”, sob a direção de Jorge Teles.

Também fez as suas primeiras “montações” performativas como drag queen estilo dark/pós-punk e desenvolveu uma linha de acessórios com inspiração retrô, participando de desfiles e sessões fotográficas. Teve experiências com o desenho de figurinos e cenários teatrais.

Ainda na década de 1980, mudou-se para São Paulo e depois para Milão (Itália), onde absorveu novas referências até retornar a Curitiba, em 1996. Nessa época, começa a estudar produção de arte e adota o nome artístico pelo qual seria conhecido pelo resto da vida: AnilinA.

Ao longo da carreira foi selecionado em diferentes edições de Salões de Arte importantes, como o Paranaense, e venceu prêmios significativos como artista e educador, entre eles o Prêmio Darcy Ribeiro em 2019, pela atuação no setor educativo do Museu Oscar Niemeyer ao implantar em parceria com Karina Marques o programa Arte para Maiores (voltado para pessoas com mais de 60 anos).

Sensível e simultaneamente provocativo, André Malinski levava expressão artística, em diferentes meios e linguagens, como um modo de vida. Era uma presença de carinho unânime entre todos que conviveram com ele, seja no museu, na sala de aula, no teatro ou na folia do Carnaval.

Serviço:

Mostra “André Malinski no céu”

Abertura: quarta, 28 de junho, Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+

A partir das 19h na sala 09 do MAC no MON

Entrada gratuita na noite de abertura pela rampa caracol do museu.

Participação especial do bloco Garibaldis & Sacis e do grupo performático As Cachorras.

Endereço: Rua Mal. Hermes, 999 – Centro Cívico – Curitiba