Política
MP denuncia Lórens Nogueira à Justiça e pede afastamento do vereador
O Ministério Público do Paraná (MPPR) denunciou à Justiça o vereador de Curitiba Lórens Nogueira (PP), suspeito da prática de “rachadinha”, e pediu o afastamento do parlamentar da Câmara Municipal. Lórens foi denunciado cinco vezes pelo crime de concussão (artigo 316 do Código Penal), com pena prevista de 2 a 12 anos de prisão, mais multa. A denúncia foi aceita pela Justiça.
Endereços ligados a Lórens Nogueira foram alvo da Operação Déjà-vu, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do MPPR, na manhã de 26 de maio. Foram cumpridos 13 mandados de busca em apreensão na Câmara e em outros endereços. Segundo o MPPR, foram encontrados cerca de R$ 100 mil em dinheiro em malas. Também foram apreendidos documentos e equipamentos eletrônicos.
Um vídeo que consta da investigação mostra o vereador recebendo R$ 5,6 mil de uma suposta funcionária, na sede do Instituto Grupo Solidário, criado pelo parlamentar. “Esse é meu”, diz ele na gravação.
Na denúncia, o MPPR pede acumulação das penas para cada delito, perda do cargo público e o pagamento de ao menos R$ 25 mil à vítima que aparece no vídeo, além de R$ 50 mil a título de dano moral coletivo. A “rachadinha” (quando o parlamentar fica com parte do salário de seu funcionário) teria sido praticada entre novembro de 2025 e abril deste ano.
O afastamento da Câmara, de acordo com Ministério Público, tem como objetivo “resguardar a ordem pública e garantir que a instrução processual ocorra sem interferências”.
“No momento o Ministério Público aguarda o pronunciamento do Poder Judiciário quanto ao pedido de medida cautelar de afastamento do cargo. O magistrado optou por abrir o contraditório e ouvir primeiro o vereador, na sequência ai fazer a análise desse pedido”, disse a promotora de Justiça Nicole Pilagallo da Silva Mader Gonçalves. “A investigação continua, ainda há várias condutas a serem apuradas, bastante material para ser analisado”.
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A Câmara Municipal de Curitiba instalou uma comissão processante que poderá recomendar a cassação do mandato. Na segunda-feira (8), um sorteio definiu que a vereadora Meri Martins (Republicanos) integrará o colegiado, já que Mauro Bobato (PP), escolhido anteriormente, é filiado ao mesmo partido de Lórens. Os outros integrantes são Serginho do Posto (PSD, presidente) e Da Costa (Podemos, relator).
Lórens Nogueira falou sobre o caso durante a sessão do dia 1º de junho e negou qualquer irregularidade. “O que as imagens mostram é uma transação financeira entre pessoas que se conhecem e mantêm relação de confiança há muitos anos. Esse tipo de situação entre pessoas com esse histórico é absolutamente normal e não configura ilícito. O contexto completo será esclarecido no lugar e no momento adequado, perante as autoridades competentes”, disse o vereador. O espaço fica aberto a uma eventual da defesa do vereador.