Saúde

Naninhas feitas por custodiados ajudam no tratamento de crianças hospitalizadas

O ‘Naninhas do Bem’ é desenvolvido no setor de costura da Penitenciária Industrial Marcelo Pinheiro Unidade de Progressão (PIMP UP). Nesta segunda-feira (17), 80 naninhas foram entregues pela PPPR e pelo Conselho da Comunidade ao Hospital Universitário de Cascavel.

Naninhas feitas por custodiados ajudam no tratamento de crianças hospitalizadas
Em Cascavel, “Naninhas do bem” confeccionadas por custodiados ajudam no tratamento de crianças hospitalizadas
Foto: Polícia Penal do Paraná
Publicado em 18/07/2023 às 16:00

Um projeto executado por pessoas privadas de liberdade (PPLs) sob custódia da Polícia Penal do Paraná (PPPR) e financiado pelo Conselho da Comunidade de Cascavel tem ajudado na recuperação e no tratamento de saúde de crianças em internamento no Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP). 

O ‘Naninhas do Bem’ é desenvolvido no setor de costura da Penitenciária Industrial Marcelo Pinheiro Unidade de Progressão (PIMP UP). Nesta segunda-feira (17), 80 naninhas foram entregues pela PPPR e pelo Conselho da Comunidade ao Hospital Universitário de Cascavel. 

O diretor-adjunto da Polícia Penal, Maurício Ferracini, diz que ações como esta sensibilizam e trazem benefícios não só para quem recebe as naninhas mas também para quem as produz.

“A Polícia Penal administra atualmente nove regionais em todo o estado. Muitas possuem trabalhos penais humanizados, voltados ao público encarcerado, que promovem a reinserção social. Vários custodiados estão conseguindo sair do cárcere e retornar ao meio social com uma estrutura econômica mais adequada, uma estrutura familiar reestabelecida e, dentre todos estes trabalhos, há aqueles voltados à comunidade”, disse Ferracini. “Este projeto desenvolvido em Cascavel é muito importante pois leva conforto às crianças e sensibiliza não só os policiais que participam das entregas, mas também os detentos que trabalham diretamente na produção destes materiais”, acrescentou.

Para a enfermeira Fabiane Ribeiro da Silva, que atua na ala pediátrica do Hospital, o projeto é extremamente importante e auxilia no tratamento de saúde dos pacientes. 

“Essas naninhas acabam alegrando e fazendo os dias desses pequenos pacientes mais felizes. Elas também nos auxiliam nos trabalhos terapêuticos. Usamos para o conforto das crianças, para a acomodação no leito hospitalar, para trazer o carinho que muitas vezes o abraço não pode suprir por conta das restrições”, conta. 

O coordenador regional em exercício da PPPR, em Cascavel, Sérgio Renato Sarquis, conta que atualmente 12 PPLs participam da confecção das naninhas. 

“A pessoa privada de liberdade, além do benefício da qualificação, por aprender a costurar e fazer a naninha, também recebe a remição da pena. A cada três dias de trabalho um é descontado do tempo total da pena”, explica. 

O pedagogo do Conselho da Comunidade de Cascavel, Márcio Issler, conta que a iniciativa faz parte do Projeto Educar para o Futuro, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), responsável pelo HUOP, em parceria com a PPPR e custeada pelo Conselho da Comunidade. 

“O projeto já é desenvolvido há algum tempo e o principal objetivo é entregar esse material para a comunidade. Temos muitos relatos, por parte do Hospital Universitário, de crianças que quando no leito de internamento passam a ter melhoras significativas em relação à doença ou ao tratamento pelo qual estão passando”, afirma. 

A entrega das naninhas na ala pediátrica do hospital trouxe mais alegria para o pequeno Luiz Otávio, de seis anos, internado em decorrência de uma fratura na perna. 

“Achei legal. É uma menina e um menino, vou brincar bastante. Antes eu brincava com as pecinhas [lego] agora tenho as naninhas”, diz. 

Em Cascavel, “Naninhas do bem” confeccionadas por custodiados ajudam no tratamento de crianças hospitalizadas

Já para Patrícia Silvino de Lima, mãe que acompanha o filho Arthur, de seis meses, internado por causa de problemas respiratórios, o presente é um incentivo para a recuperação do bebê. 

“É muito bom, faz a felicidade das crianças que estão em internamento e das mães também. Se os filhos estão felizes, as mães também estão”, afirma.

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