O TRABALHO DIGNIFICA

Programa que emprega mão de obra de presos na melhoria de escolas é reforçado no Sudoeste

O programa Mãos Amigas ajuda a reduzir custos nas obras de melhorias. Os presos recebem 75% de um salário mínimo e a cada três dias de trabalho é reduzido um dia da pena.

Programa que emprega mão de obra de presos na melhoria de escolas é reforçado no Sudoeste
Programa que emprega mão de obra de presos na manutenção de escolas recebe reforço no Sudeste
Foto: Fundepar
Publicado em 10/07/2023 às 10:00

O Programa Mãos Amigas, desenvolvido pela Polícia Penal do Paraná (PPPR) e o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar), recebeu novos materiais e equipamentos para manutenção e pequenas reformas em escolas estaduais e prédios da administração pública na região de Francisco Beltrão, no Sudoeste do Estado. 

Nesta semana, foram entregues pás, enxadas, rastelos, picaretas, escada, mangueiras e outros utensílios utilizados nos serviços. A entrega ocorreu nas dependências do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Francisco Beltrão. Também participaram o gerente estadual do programa, Claus Marchiori; a chefe do NRE, Lurdinha Bertani; Márcio Henrique Paixão, policial penal que acompanha e monitora o programa na PEFB, e Alzemiro Prando, técnico responsável pelo programa no NRE.

Por meio do programa, as unidades do governo estadual contam com a mão de obra de pessoas privadas de liberdade (PPL) custodiadas pela Penitenciária Estadual de Francisco Beltrão (PEFB).

O Mãos Amigas é destinado a detentos de regime fechado, regime semiaberto e em monitoração eletrônica. Aqueles que participam do programa recebem 75% de um salário mínimo e a cada três dias de trabalho é reduzido um dia da pena. Neste momento, 75 presos participam em todo o Estado. Só no primeiro semestre deste ano foram atendidas 296 escolas, abrangendo 53 municípios.

A aplicação desta mão de obra nos reparos e manutenções ocasiona redução de 50% nos orçamentos, em média. Na região de Francisco Beltrão, diversas escolas receberam melhorias com a mão de obra de custodiados pela unidade penal sediada na cidade e, segundo os responsáveis pela agenda de trabalho, há fila de espera.

Para o diretor-geral da Polícia Penal do Paraná, Osvaldo Messias Machado, o Mãos Amigas soluciona o problema das escolas, que é a dificuldade em contratar profissionais para realizar estes pequenos reparos. “Eles atendem desde a parte elétrica, hidráulica, até alvenaria e limpeza. O Mãos Amigas tem avançado e atendido cada vez mais escolas do Paraná”, diz.

O diretor da PEFB, Márcio Roberto Iansen, afirma que há expectativa de ampliação do programa. “Além da remição de pena, as pessoas privadas de liberdade recebem salário. Estamos com tratativas para disseminar este programa em outros núcleos da regional de Francisco Beltrão. A expectativa para o próximo ano é ampliar este trabalho e assim ajudarmos a todas as escolas da nossa região”, afirma.

RESSOCIALIZAÇÃO – O Mãos Amigas integra as iniciativas do Governo do Estado voltadas à ressocialização das pessoas privadas de liberdade, por meio de trabalho e da educação. Hoje, cerca de 30% da população carcerária do Paraná encontra-se ativa. Já nas Unidades de Progressão, uma das principais iniciativas de ressocialização, 100% dos presos trabalham.

O Banco de Alimentos – Comida Boa é outro projeto de sucesso, realizado em parceria com a Central de Abastecimento do Paraná (Ceasa), destinado a apenados em monitoração eletrônica. A iniciativa visa ofertar alimentos às pessoas em situação de vulnerabilidade alimentar através da manipulação dos produtos não comercializados pelos atacadistas e produtores rurais nas unidades da Ceasa/PR.

A Polícia Penal do Paraná oferta, também, diferentes projetos de capacitação profissional, através de parcerias com órgãos públicos e privados, nas áreas de panificação, costura, serralheria, confeitaria.

Além destes projetos laborais, a PPPR tem o Programa de Remição pela Leitura: a cada livro lido e com resenha aprovada, o preso tem quatro dias reduzidos da pena a cumprir. Em junho, a unidade prisional de Foz do Iguaçu foi destaque, alcançando o recorde de 1.421 pessoas privadas de liberdade participando do projeto.